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História da joalheria

As histórias que um mero par de brincos pode nos contar

No verso desse par de brincos tem marcado WEST GERMANY e mais nada. Não há referência a um fabricante. Quando eu o comprei, em alguma feirinha de antiguidades em São Paulo ou no Rio de Janeiro, já não lembro mais, isso era irrelevante. Eu apenas adorei o fato dele ser branco e capaz de iluminar o rosto do mesmo jeito que as pérolas fazem.

Tempos depois, estudando história de algumas marcas de bijuterias, fiquei intrigada com essas peças que só traziam escrito o país. Descobri que, no período imediatamente posterior à construção do muro de Berlim e ainda sob o efeito da Segunda Grande Guerra, os esforços de reconstrução do país incluíram retomar a produção de bijuterias. Como as joias estavam fora de questão porque não havia materiais disponíveis e nem poder aquisitivo para comprá-las, muito se investiu na produção de joias de fantasia.

Materiais e técnicas simples garantiam um valor de mercado interessante e a empregabilidade de pessoas que de outro forma estariam engrossando as fileiras do desemprego. Havia um bocado de improvisação nessa retomada de processos de manufatura e, principalmente, de uniformização para garantir volumes de produção. Daí uma marca genérica para consumo interno ou exportação.

Pensar nas mulheres que pintavam à mão as pétalas de porcelana que depois eram unidas nessas bases de brincos de clips torna esse par de brincos especialmente precioso para mim. Mais ainda quando penso que nesse período, mesmo com todo o sofrimento recente, as mulheres desejavam se enfeitar da forma mais alegre possível.

É como eu sempre digo, adornos sempre existiram e sempre existirão.

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